0038. Religião por tradição
- 7 de fev. de 2018
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Atualizado: 20 de jun.

Li, hoje, algures num jornal, que o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos sentenciou uma escola a retirar os símbolos religiosos.
Parece que, em Portugal, se está «a refletir se se deve retirar ou não tais símbolos» dos estabelecimentos públicos… e o que é um facto é que não sei se já chegaram efetivamente a alguma conclusão! Alguns estabelecimentos ainda os têm, sendo apenas retirados caso os docentes ou discentes o solicitem…
A sua existência nas escolas ainda não é consensual e a sua remoção também ainda não é obrigatória, mas o que é um facto é que viola o conceito de laicidade do Estado: «O Estado não tem uma religião, nem pode impor determinada visão da religião à sociedade».
Na sentença, «o tribunal deu razão ao protesto de uma mãe relativo à escola frequentada pelos seus dois filhos, condenando o país[1] a indemnizar a queixosa em cinco mil euros por ter sistematicamente recusado os seus apelos.»
Para a instituição de Estrasburgo, «a exibição obrigatória do símbolo de uma determinada confissão» em instalações públicas e «especialmente em aulas» atenta contra a liberdade dos pais educarem os filhos «em conformidade com as suas convicções».
O Vaticano reagiu obviamente com «surpresa» e «tristeza» a tal sentença… mas, em Portugal, um porta-voz de uma dita Conferência Episcopal referiu que: «não faz sentido retirá-los das escolas», porque «a cruz é ícone da cultura ocidental […] um símbolo anti violência» – ainda que a exibição da crucificação em si seja desde logo um ato bárbaro e de extrema violência. Impor a sua retirada seria «uma forma de limitação da “diversidade cultural”» …
Curiosamente, questionado por um jornalista se aceitaria então que uma escola pudesse exibir um símbolo islâmico caso a comunidade o pedisse, o padre admitiu que não, justificando: «Esse não é propriamente um símbolo da nossa identidade cultural. A raiz cultural da escola pública não é muçulmana.»
Também por tradição se realizam nas escolas e instituições militares algumas cerimónias religiosas… mas parece que aí a reflexão e a ação ainda são mais profundas e demoradas!
[1] Itália
Autor: Carlos Silva
Data: 2009-11-05
Imagem: Internet
Obs:
Direitos reservados. [1]Itália





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