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0046. Dor-de-nada

  • 15 de fev. de 2018
  • 1 min de leitura

Atualizado: 28 de jun.


Que fazer com esta pequena dor-de-nada[1]?

Que fazer com esta ténue ferida mental de quase-nada?

Que fazer com esta momentânea dor de quase-nada que perdura enquanto conscientemente retida?

Dar forma literal a uma pequena dor-de-nada, que nem ‘dor’[2] chega a ser…

É como dar corpo a uma qualquer vida… a uma qualquer gota de água…

É como gerar uma qualquer Barca de Noé ou lutar com um qualquer gigante ‘Adamastor’…

É como aventurar-se num qualquer universo mental em que invariavelmente se acaba por ficar perdido…

É como acariciar os sentidos, sem saber o que verdadeiramente se sente…

Esta suposta e relativa imagem dessa leve sensação de dor-de-nada… “creio nela como num malmequer” … não porque a tenha visto… mas simplesmente porque realmente a tenha sentido…

*

Suave dor-de-quase-nada neste longo e árduo caminho metafísico, ainda que no fim só fiquem dolorosas e desordenadas palavras ao sabor do pensamento…

Importa perpetuar a racionalidade… e não apenas dores-de-nadas… que no final nada serão!

Pensamentos!

Pensamentos de dor-de-nada[3]!…

De tal forma me sinto bem que chego mesmo a alcançar alguns momentos de quase-plenitude, inimagináveis na exterioridade…


Autor: Carlos Silva
Data: 1996-02-05
Imagem: Internet
Obs:
Direitos reservados. 
[1]Dor mental
[2]Dor física
[3]Pensamentos de outrem (leitor)




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