0041. “Religião”
- 10 de fev. de 2018
- 3 min de leitura
Atualizado: 20 de jun.

«Religião…». Penso-a, logo existe! Não a penso, logo não existe! Elementar, caro ser humano…
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De «religião»…
Passa subjetiva imagem mental…
Na efemeridade mental da minha mente…
Existe fugazmente enquanto tal…
Tal como passa…
Tal como penso…
Assim que a deixar de pensar, deixará de existir…
Assim que a deixar de pensar, deixará de existir em mim…
Tal como deixará de existir em todas as mentes que a pensaram…
E deixaram de pensar…
Em todas as mentes que existiram…
Em todas as mentes que existem…
Em todas as mentes que existirão no futuro!
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É impossível não observar a evolução das espécies e a sua seleção natural… as ossadas inertes são provas vivas… irrefutáveis e evidentes!
Fascina-me a forma como vivem e sobrevivem todas as espécies… em especial a minha – sobretudo nestes últimos anos em que faço parte desta assombrosa matéria viva!
Desconheço como tudo começou. Desconheço praticamente tudo. E apenas sei como termina.
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Ainda sei tão pouco… Mas enquanto vou aprendendo sobre a origem da vida na terra, enquanto vou desvendando as invisíveis «partículas», enquanto vou despertando para a realidade… vou sobretudo tomando consciência das futilidades e ilusões que devo ignorar…
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Nasci selvagem… Não pertenço a nada nem a ninguém, muito menos a supostas «religiões» …
Desde que o cordão umbilical se soltou que sou um novo ser, uma nova mente livre de pensar…
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Recordo um dos hinos da liberdade em Portugal: «Uma gaivota voava, voava… asas de vento, coração de mar / como ela somos livres, somos livres, de voar…». E questiono-me: porque não somos ainda livres de voar? Porque não somos ainda realmente livres de pensar? Porque criamos e adoramos ainda supostas divindades e continuamos a aniquilar a nossa genuína natureza? Porque não somos ainda livres como a «gaivota»[1]? Porque não somos ainda «gaivota»?
E é tão fácil responder: nascemos e crescemos rodeados de correntes ancestrais que nos prendem à natureza da vida e não nos deixam voar plenamente!
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Nascemos e crescemos rodeados de correntes ancestrais que nos prendem à natureza…
Somos sistematicamente conduzidos para o transcendental quando sofremos ou não realizamos as mais elementares aspirações terrenas, no entanto, do desejo à realidade, por vezes, existe uma distância abissal, eventualmente antagónica… e não temos discernimento para a distinguir… cálice-milenar. Continuamos a alimentar um suposto ser ajustado ao desejo de salvação…
Enquanto não tivermos capacidade para distinguir e escolher livremente o caminho, continuaremos a ser prisioneiros sem cela… Por isso, quanto mais depressa nos libertarmos e alcançarmos essa capacidade de perceção, mais depressa agiremos sobre a própria realidade pessoal e global…
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Deparo comigo a observar esta admirável massa cinzenta… e emociona--me os seus (meus) pensamentos, as suas (minhas) emoções…
Por vezes, fico maravilhado com a sua (minha!) forma, a forma como evolui e como (me) conduz para estes admiráveis mundos (exterior/interior) que a (me) envolvem… Por vezes, fico devastado ao imaginar a sua degeneração, a falência do seu corpo… o sofrimento… a mágoa da perda da sua própria consciência…
*
As leis físicas são a minha vida, a minha religião… por vezes, a minha ilusão e desilusão. São, sobretudo, a realidade da sua (minha!) admiração e inspiração!
Não consigo deixar de atribuir a sua origem (vida) a fenómenos físicos e a interações de partículas que ao longo do tempo foram evoluindo/selecionando até este atual e complexo produto sob forma de corpo/mente provida de pensamentos e emoções…
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Conforma-me ter nascido e vivido com o privilégio de pensar livremente… Conforma-me a consciência de poder sempre optar pelo mais plausível…
E a verdade é que tal me permite levar a simples e estável vida que sempre sonhei, realizada praticamente a todos os níveis…
[1] «Somos Livres»: canção de 1974, interpretada por Ermelinda Duarte.
Autor: Carlos Silva
Data: 2012-07-05
Imagem: Internet
Obs:
Direitos reservados. [1] Somos Livres: Canção de 1974 interpretada por Ermelinda Duarte




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